[Let’s Share IT] A Teoria Evolucionista de Darwin e as Metodologias Ágeis
Postado em 22 de janeiro de 2019 #LetsShareIT

Por Flávio Antonio Severino, Líder de Projetos na Triad Systems.

 

 

Quando o navio Beagle partiu da Inglaterra para o Novo Mundo, um tripulante, que nada conhecia sobre navegação marítima, estava a bordo. Seu nome era Charlie Darwin, um cientista inglês. A partir dessa viagem, e de centenas de observações, Darwin escreveu “A Origem das Espécies”. Na época, ele estava bem relutante sobre a publicação por viver em uma Inglaterra com grande influência da Igreja Protestante, mas, mesmo assim, seguiu em frente e o livro foi para prensa. “A Origem das Espécies” virou o mundo de cabeça para baixo no final de 1859. O clero ficou perplexo com a publicação, que chamou de heresia, seus fiéis desacreditaram e os amigos de Darwin o acharam louco. Mas essa teoria transformou a cultura mundial e a história da ciência.

 

Muitos e muitos anos depois disso, na década de 1990, um grupo de pessoas se reuniu para dizer ao mundo que o modo de gerenciar o desenvolvimento de software estava errado. Eles definiram o manifesto ágil, que veio para substituir o modelo tradicional. Todos chamaram aqueles homens de insensatos, loucos e infelizes com o mundo corporativo. Na sequência, o mundo foi sacudido com o surgimento de pequenas empresas, com grandes ideias, mas com capital humilde e que se tornaram grandes unicórnios: Google, Uber, Airbnb, PayPal, entre outras. Essas empresas ousaram: não seguiram o padrão e não começaram pelo falido modelo waterfall (falido quando aplicado ao desenvolvimento de software). Todas aplicaram conceitos do manifesto ágil – aquele definido pelos chamados “loucos”, na década de 1990 – e se destacaram, pois cresceram exponencialmente e apresentaram ao mundo seus produtos inovadores.

 

Mas o que a teoria de Darwin e essa mudança de paradigmas de metodologias tem em comum, além das críticas dos céticos? Simples: as experiências com base em observações, a aplicação do método científico e empírico em suas atividades do dia a dia e, claro, a coragem de mudar. Basicamente a teoria de Darwin diz que “não é o mais forte e nem o mais inteligente que sobrevive e, sim, aquele que tem maior capacidade de adaptação às mudanças no ambiente”. E isso tem tudo a ver com essa evolução corporativa do cenário tradicional para o ágil, especialmente no que diz respeito ao ambiente e à capacidade de adaptação.

 

Com a apresentação desse novo modelo de desenvolvimento de software, muitas corporações entenderam que tinham que mudar para alcançar maiores resultados. O modelo waterfall deixou de atender às necessidades durante o desenvolvimento de software e as empresas enxergaram que esse modelo não é aderente, especialmente por conta do grande número de imprevisibilidades que aparecem durante o processo. O ambiente em que um software depende de muitas variáveis que estão em constante mudança (mercado, desejo do cliente, tecnologias, etc.) requer a abertura de quantas change requests? E, por conta desse modelo engessado, quantos projetos são entregues e que não são utilizados pois perderam o propósito no caminho? O modelo de gestão de projetos tradicional pode funcionar muito bem para áreas como engenharia civil, por exemplo, pois pouca coisa muda durante a construção de um edifício e, além disso, é uma área que já possui mais de 2.000 anos, ao contrário do desenvolvimento de software que possui algumas poucas décadas.

 

O manifesto ágil, seus métodos e frameworks já provaram seu valor e mostraram que, se bem aplicado, apresentam ótimos resultados. Entretanto, o maior obstáculo para a implantação continua sendo a resistência dos indivíduos que, por vezes, demonstram ceticismo na nova forma de realizar a caça aos resultados da empresa. Poucas empresas migraram para o modelo ágil no início dessa transformação e, hoje, as que não aderiram a esse modelo entendem a necessidade de se adaptar o quanto antes para não se extinguirem.

 

A teoria da Darwin nos mostra que as espécies que sobrevivem são as que se adaptam e que, as que não passam por esse processo, são extintas. No novo ambiente corporativo, para sobrevivermos, precisamos trocar as ferramentas da era da pedra para as que são condizentes com a nova era, que já se iniciou e que está cada dia mais presente e engolindo pessoas e empresas que não se adaptam.

 

 

 

O propósito do Programa #LetsShareIT é dar voz aos talentos da Triad, possibilitando que cada um deles compartilhe parte de seu conhecimento, dentro do universo de TI, em formato de artigo opinativo. Let’s share IT!

 

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